Rafael Farnezi, saiba mais sobre o uberlandense campeão mundial de Triathlon
22 de março de 2016
TriAngEsp (2 artigos)
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Rafael Farnezi, saiba mais sobre o uberlandense campeão mundial de Triathlon

“Poder levantar a bandeira de meu país no Mundial de Pequim foi um momento que sinto acontecendo como se fosse ontem, hoje me motiva a continuar sempre em frente…”

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Extrema dedicação, disciplina, vontade de vencer e bastante treino marcam a trajetória de sucesso do triatleta Rafael Farnezi.

Desde criança, Rafael sempre teve uma infância ativa, mas nada ainda direcionado a esportes específicos e menos ainda pensando em rotinas de treinamento. À medida que crescia, junto aumentava seu interesse pelo esporte em si, foi então que aos 12 anos começou a jogar basquete e entrou para o time de um grande clube de Uberlândia. Com o tempo foi subindo de categoria, mas não concordava muito com os métodos adotados por seu treinador na época. Foi então que aos 15 anos passou nos testes para integrar a equipe do Praia Clube, mas seus horários de treino estavam incompatíveis com os horários de estudo. Por causa disso, Rafael preferiu interromper os treinos de basquete a retornar para o antigo treinador. Superada esta fase, Rafael afirma:

“Quando fiz 15 anos, era muito magro, cresci muito, mas não desenvolvi massa. Foi quando passei a treinar musculação; meu físico sempre foi de uma qualidade muito boa e com pouco tempo ganhei muita massa. Minha mãe, assim como eu hoje, também é formada em Educação Física, e já naquela época, mesmo muito novo, já eu pegava os livros dela e lia muito sobre métodos e ciência do treinamento. Evoluí muito na musculação nesse período.” A ausência de um esporte competitivo em sua vida fez com que Rafael procurasse uma modalidade que o envolvesse. Foi então que conheceu o badminton, um esporte ainda exótico no Brasil, mas bastante difundido em outros países, principalmente no Oriente. Rafael evoluiu bastante no esporte e chegou a ser vice-campeão brasileiro na categoria dupla masculina. Ele afirma: “O badminton é um esporte maravilhoso, mas o incentivo ainda é muito baixo. O Brasil possui grandes atletas, pude viajar e me dediquei muito, mas apesar dos excelentes resultados, não encontrei o apoio necessário para continuar jogando.”Paralelamente ao badminton, Rafael sempre manteve seus treinos de musculação por meio dos quais sua disciplina e sua forma metódica de treinos chamaram a atenção de um amigo que já era triatleta e enxergou nele um grande potencial. Foi convidado diversas vezes por esse amigo a ingressar no Triathlon, mas Rafael achava que esse esporte não era para ele. Aos poucos seu hobby de pedalar nos fins de semana foi envolvendo-o cada vez mais, e ele passou a participar da organização de eventos de ciclismo em sua cidade, e sua paixão pelas duas rodas foi só crescendo. Na faculdade, ao estudar matérias relacionadas a treinamento, esportes de endurance e, logicamente Triathlon, foi aconselhado por um dos professores a experimentar na prática o que aprendia para ter uma noção mais exata do que estudava. Rafael lembra: “Um dos grandes conselhos que recebi veio desse professor, que é para mim um verdadeiro mestre, ele disse: ‘Se você quer realmente entender o treinamento esportivo, aprender sobre periodização de treinos para atletas, seja também um atleta ou treine um atleta.’ Então, nada melhor que o Triathlon para lhe dar essa base, pois a complexidade de treinar três modalidades e tentar tirar o máximo de cada uma, evoluir em cada uma individualmente e encontrar um equilíbrio para que as três interajam, vai muito além dos conceitos teóricos. Com tudo isso somado, tomei a decisão de, aos 20 anos, entrar de cabeça no Triathlon.Comprei minha primeira bike speed, a qual tenho guardada até hoje; tornou-se, de certa forma, meu amuleto; é a bike que me levou para meu primeiro mundial de Triathlon em 2009 na Austrália. Como sempre minha disciplina nos treinos me trouxe uma evolução fantástica, no primeiro ano só pensava em treinar, e muito, ainda não pensava em competições.”

Após um ano Rafael disputou sua primeira prova, por meio da qual veio uma boa surpresa; na cidade de Itirapina (SP), ele superou todas suas expectativas e voltou vencedor de sua categoria. “Foi uma experiência sensacional. Se eu já estava gostando daquilo, voltei gostando mais ainda, e no ano seguinte fiz uma série de provas maiores, para ganhar mais experiência e ritmo de prova para melhorar ainda mais.” A partir daí, Rafael passou a disputar inúmeras provas, e os resultados ainda o preocupavam um pouco.

“Foi uma série de provas, algumas competições maiores nas quais eu sempre batia na trave, quarto lugar sempre e ficava fora dos pódios. Bateu aquela sensação ruim, pois estava treinando muito e não evoluía o quanto desejava. À época pensei se realmente esse esporte era para mim, ou se eu servia mesmo para fazê-lo bem feito.”

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Mas Rafael continuou treinando e foi disputar uma etapa do Troféu Brasil de Triathlon, uma competição de nível nacional e com décadas de tradição. Rafael diz: “Fui totalmente desencanado, achava que não tinha como ganhar nada ali, o nível era muito alto, com atletas de todo o Brasil, mas tive uma grande surpresa naquele dia. Fiz a prova, ganhei minha categoria e fui terceiro ou quarto na classificação geral. Isso me motivou a fazer o Circuito Troféu Brasil naquele ano, infelizmente já havia perdido as duas primeiras etapas; isso me prejudicou um pouco, foi uma série de primeiros e segundos lugares que me levaram a terminar o ano em terceiro lugar no Circuito Troféu Brasil. No outro ano retornei com a intenção de ser campeão, terminei o ano invicto, eu ganhava tudo, pontuava no ranking nacional e fechei o ano em primeiro do Brasil na minha categoria. Isso me qualificou para disputar o Mundial na Austrália, meu primeiro mundial. Com muito custo consegui concretizar essa viagem.”
A Austrália é um dos países onde o Triathlon é mais querido, tem parte fundamental na própria história do esporte, inúmeras competições da modalidade e uma quantidade absurda de triatletas; tanto é que a cidade de Noosa virou até nome de tênis de uma marca famosa, justamente por sediar uma das competições mais tradicionais da história do Triathlon. No mundial, o nível dos atletas é muito elevado, e também a quantidade de atletas é assustadora. Rafael lembra:

“Estar ali, naquele lugar, foi um espetáculo! Poder participar da parada das nações, o desfile, representar meu país… Nunca imaginava isso. Eu e minha bicicleta simples de alumínio estávamos ali, do outro lado do mundo. Vi ali atletas com bikes e equipamentos que até então só havia visto em revistas, e para me deixar ainda mais ansioso, a minha bike nem era o modelo específico para a competição. Apesar de ser meu primeiro mundial, fiz uma excelente prova, com postura e atitude de gente grande, dei meu máximo e fiz tudo que podia. O resultado foi muito além de todas as minhas melhores expectativas, fui o quarto colocado, atrás apenas de um americano, um australiano e um britânico, além de ter sido o brasileiro mais bem colocado. Aquilo me disse que eu podia ir mais longe, mesmo sabendo que já estava longe demais. Pensei: pega firme, cara! Você pode ser campeão mundial…”

2No ano seguinte Rafael continuou pontuando no ranking nacional, representou novamente o Brasil no Mundial da Hungria, em Budapeste. Sentia-se muito bem, fez uma prova espetacular. Rafael conta que nadou bem demais, apesar da temperatura congelante da água. Saiu da água para a área de transição entre os primeiros; no ciclismo, ele assumiu a liderança da prova e com o pedal mais rápido da prova entrou na área de transição para a corrida sozinho! Mas em provas como essa, são milhares de pessoas. Rafael perdeu toda a vantagem e a liderança da prova ao demorar para encontrar o seu lugar de colocar a bike em meio às outras e por consequência desse erro, ele novamente terminou o mundial em quarto lugar, mas isso não o desmotivou; aprendeu com o erro e conseguiu visualizar com mais clareza o quão próximo estava de ser campeão mundial. No ano seguinte continuava liderando o ranking nacional, e novamente representou o Brasil no Mundial de Pequim, na China. Rafael diz:

“Aquele mundial foi um momento mágico, vivi durante a competição uma experiência extrassensorial, na qual fugi de meu corpo, lembro apenas de dois momentos: da minha largada e da chegada. Estava em transe, a natação, as transições, o ciclismo, a corrida… Nada disso eu lembro! Não sabia que tinha ganhado a prova. Depois que cruzei a linha, os atletas iam chegando e me parabenizando; e eu não entendia aquilo, pois, apesar de saber que tinha feito uma excelente prova, não sabia e não acreditava que poderia ter ganhado. Fui para o hotel, entrei no site do evento e meu nome estava lá. Então vi, EU ERA CAMPEÃO MUNDIAL! Nas redes sociais, as pessoas já estavam me parabenizando, minha família tinha ficado acordada durante a madrugada por causa da diferença de fuso horário para assistir à minha prova; minha mãe, meus familiares. A emoção tomou conta. Saber que eu tinha conquistado aquilo que eu estava procurando e correndo atrás havia tanto tempo e com tanto afinco. Chorei muito, uma emoção que talvez nunca conseguirei descrever em palavras em igual intensidade. Durante a cerimônia de premiação, como os orientais são muito metódicos, todos estavam seguindo a rigor o protocolo de subir no pódio, receber suas medalhas e saírem; mas eu não pensei duas vezes, subi ao pódio envolvido em uma bandeira gigante do Brasil, não podia fazer diferente. Vendo isso, outros atletas acabaram criando coragem de fazer o mesmo. Até hoje fecho os olhos e revivo todo esse momento. Olhar essa medalha pendurada na parede de meu quarto é uma fonte de motivação muito forte para seguir em frente, não tem como mensurar isso.”

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No ano seguinte, faltando pouco tempo para defender seu título mundial, infelizmente Rafael sofreu um acidente sério; foi atropelado quando saía para um treino, e esse acidente acabou desencadeando uma lesão no joelho. Rafael afirma: “Se entro em uma competição, quero fazer o meu melhor; para isso tenho que estar na minha melhor forma. Eu não pude defender meu título naquele ano, mas procuro sempre enxergar o lado positivo das coisas; não podia forçar as pernas em treinos de corrida e ciclismo, então passei a nadar de duas a três vezes por dia com as pernas amarradas e trabalhando muito o braço. De certa forma, isso me deu um upgrade na natação, melhorei muito minha técnica, o que hoje traz um equilíbrio ainda maior nas minhas provas.”

Rafael disputou mais dois mundiais nos quais fez excelentes provas, mas ainda não alcançou seu 100%, mas mesmo assim renderam ótimos resultados. Em 2015, chegou no Mundial de Chicago, fez uma prova espetacular, terminou a prova em quinto lugar e encerrou suas participações na categoria 25 a 29 anos e passa agora para a categoria 30 a 34 anos. Para 2016, Rafael vai disputar o Mundial em Cozumel, no México, e chega convicto e preparado para ser bicampeão mundial. Sobre o que o Triathlon significa para Rafael, ele diz:

 

“Hoje, sem dúvida, o Triathlon é a engrenagem fundamental que movimenta o relógio da minha vida, se tirar essa engrenagem o relógio para. Eu teria que buscar uma nova engrenagem para o relógio voltar a funcionar. Sinceramente não sei o que seria, nem onde buscaria, nem em quanto tempo conseguiria encontrar essa nova engrenagem. Um conselho que deixo para todos que iniciam em qualquer esporte é evoluir gradativamente, começar de baixo, ficar bom lá embaixo, subir mais um degrau, ficar muito bom naquele degrau; e, degrau por degrau, evoluir sempre ao seu máximo, para poder então ter condições de ser o melhor lá no topo dessa escada. Porque não adianta nada você subir uma escada de qualquer jeito para, no final, ter apenas a conquista de ter subido uma escada. Quero agradecer a Token e a América Tri Esportes, minha família e meus amigos próximos que torcem e oferecem o apoio motivacional que tanto preciso para seguir em frente.”

“FAÇA PARA SE SENTIR BEM, FAÇA BEM FEITO, FAÇA PARA VOCÊ, FAÇA POR PRAZER. NUNCA PARA IMPRESSIONAR OU AGRADAR ALGUÉM. ISSO É ESSENCIAL…” Rafael Farnezi – Triatleta – Campeão Mundial

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