Mariana Ribeiro conta sua história de vida e fala sobre a busca pela vaga nas paralimpíadas
25 de abril de 2016
Mariana Ribeiro (1 article)
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Mariana Ribeiro conta sua história de vida e fala sobre a busca pela vaga nas paralimpíadas

“O esporte exige muita dedicação, é um trabalho duro e diário, mas vale muito a pena, principalmente quando é feito com gosto, com amor”

banner-site-mariana-2Há alguns meses eu e minha família decidimos recomeçar do zero e nos mudamos para Uberlândia após receber uma proposta para integrar a equipe paralímpica do Praia Clube, e ter toda estrutura para recomeçar a busca pelo meu sonho. Meu foco esse ano é participar das Paralímpiadas do Rio. Meu nome é Mariana Gesteira Ribeiro, nasci no Estado do Rio de Janeiro, hoje estou com 20 anos. Desde pequena sempre fui muito ligada ao esporte, jogava, lutava, e principalmente, nadava. Conforme fui crescendo escolhi a natação para me dedicar realmente. Fui atleta federada do Botafogo e alcancei excelentes resultados desde muito jovem na natação convencional, e meus maiores sonhos sempre envolveram o esporte. Aos 14 anos de idade tudo mudou, quando descobri que tinha uma síndrome chamada Arnold Chiari, uma má-formação rara e congênita do sistema nervoso central, e simplesmente parei de andar e comecei a sofrer terríveis dores de cabeça. Passei por uma cirurgia de emergência da qual tive uma fístula liquórica, rejeição de uma meninge artificial, e contraí duas meningites num período de alguns duros meses que passei no hospital. Foi feita outra cirurgia para correção, quando descobriram todos os problemas, porém não foi muito eficiente.

Após as cirurgias, tive hipotireoidismo, insuficiência adrenal e Síndrome de Cushing. Em 2012, foi realizada mais uma cirurgia, quando foi colocada uma placa de titânio no cérebro, e tive melhoras nas dores de cabeça e consegui finalmente andar com apoio. Por causa da insuficiência adrenal, passei anos longe das piscinas, pois tinha desmaios ao fazer esforço, e não pensei que poderia voltar mais, já tinha aceitado que essa parte da minha vida acabara, até que em 2013 pude voltar a praticar alguma atividade física quando finalmente acertaram minha medicação. E foi o ano que conheci o esporte paralímpico e participei da minha primeira competição paralímpica.

“É necessário uma bateria de remédios diários para me manter funcionando, mas minha vontade de vencer é maior que qualquer obstáculo…”

Hoje, tenho sequelas de tudo isso e sintomas da própria síndrome, que inclui falta de equilíbrio e coordenação motora, perda de força, dores de cabeça, quedas bruscas de pressão, visão turva, lenta recuperação muscular, entre outros. Os desafios não pararam por aí.

“Não acreditava que eu poderia voltar a competir, era algo que eu já tinha aceitado para minha vida, mas eu ainda sonhava em ser atleta…”

Em 2014, voltei a me dedicar ao esporte, e nesse mesmo ano me tornei recordista brasileira pela primeira vez e logo no meu primeiro campeonato. Recentemente, fui convocada para a seleção brasileira, e atualmente estou entre os 30 melhores atletas do Brasil na disputa para as vagas da Paralimpíada. Como a expectativa é que o Comitê Paralímpico Internacional disponibilize de 25 a 30 vagas para o Brasil nos jogos, estou com chances reais de participar da minha primeira Paralimpíada. 2016, para mim, é só o começo!

Mariana Ribeiro

Mariana Ribeiro

Mariana Ribeiro é atleta do Praia Clube de Uberlândia, e aos 20 anos de idade está entre os convocados da Seleção Brasileira Paralímpica de Natação.

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