Vitor Rage
17 de outubro de 2015
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Vitor Rage

Conheça o atleta araxaense que é destaque no cenário nacional de ultramaratonas

 

 “É o corpo muito vivo em meio à natureza, a corrida me leva a lugares fantásticos.”

 

O termo ultramaratona serve para identificar corridas a pé que tenham uma distância superior a quarenta e dois quilômetros, distância oficial da maratona. Mineiro de Araxá, quando criança Vitor Rage praticava mountain bike, e na adolescência corrida e jiu-jítsu. Desde a infância o esporte fez parte de sua vida. Aos dezenove anos mudou-se para o exterior. Aprendeu a surfar e morou à beira-mar por dez anos no Havaí, na Austrália, na Espanha e na Indonésia. O surfe ocupou a maior parte do seu tempo, mas a corrida continuava sempre presente em sua vida. Duas a três vezes por semana, corria uma média de dez quilômetros por treino. Sempre correndo sozinho, sempre automotivando, por vezes dividia os treinos com alguns amigos, mas basicamente corria só. Voltou para o Brasil, e nessa época suas corridas já variavam entre dez a vinte quilômetros. No começo de 2010, participou da equipe de apoio para o amigo Fredy Guerra na prova Multisport Brasil em Florianópolis, onde competiam também Thiago Moscardini e outros amigos.

Ver os amigos competindo despertou o interesse de Vitor. Como já tinha uma boa base de corrida, resolveu inscrever-se na MoutainDo, uma corrida de revezamento, em que uma equipe de Curitiba que estava desfalcada de dois atletas acabou convidando-o com Augusto Castilho para correr com eles. Augusto acabou por virar um grande amigo. Gradativamente as distâncias aumentaram e seu primeiro contato com as ultramaratonas ocorreu um ano e dois meses depois no DESAFRIO, uma prova tradicional do Sul do país com cinquenta quilômetros de montanha.

 

“Com a corrida ganho vida e sabedoria. O que eu adquiro não há dinheiro que compre, é muita alegria, são grandes amizades feitas.”

 

Vitor foi bem até os quarenta quilômetros, depois disso teve problemas de desidratação e sofreu bastante nos últimos treze. “Sempre tive um problema com alta desidratação. Eu tinha um limitador, dependendo da temperatura até três ou quatro horas de exercício intenso eu ia bem, mas depois ficava mal. Foi o que aconteceu ali. Passei muito mal, vomitei bastante. Até aquele momento eu ainda não conhecia os soros e sais mais fortes, que iriam me ajudar muito nas minhas performances no futuro. Completar essa prova foi uma sensação sublime de superação, e dali pra frente a paixão pela corrida tornou-se um vício.”

Hoje, Vitor considera que foi bastante afoito e que um tempo de preparação ideal para uma primeira ultramaratona, com um bom treinador e um acompanhamento específico, seria de no mínimo dois anos. O segredo é a evolução gradativa, sem pular etapas; e talvez a ansiedade o tenha feito queimar algumas. Hoje já conta com dezoito ultramaratonas nacionais e internacionais no currículo e disputará mais duas até o final de 2015, sendo uma delas na África do Sul, uma prova duríssima com desnível positivo elevado e tempos de *corte bastante puxados. “O que me impulsiona sempre é o amor pelo esporte, a natureza e o autoconhecimento. Eu sou muito feliz estando ali. Hoje, uma de minhas metas é disputar o *Ultra Trail de Montblanc, que é como a ‘copa do mundo do Ultra Trail’, uma prova almejada por atletas do mundo inteiro com fila de espera enorme. O critério para entrar na fila é acumular nove pontos, adquiridos em três provas, em uma janela de dois anos; mas com relação a pontos, esse ano volto novamente para a fila com o coeficiente 2, o que me deixa com mais chances de ser convidado e realizar esse sonho.”

 

“Essa união entre esporte e natureza é meu maior tesouro, sou muito feliz fazendo isso.”

 

Vitor afirma que treinamento é a base de seus resultados; atualmente divide seus treinos em corridas, bike, musculação e descanso. “Sim, porque descanso também é treino”, afirma ele. Seus treinos baseiam-se em quatro corridas semanais de dez a dezoito quilômetros, em alta frequência, com estímulos variados, como tiros na subida, tiros no plano e velocidade em trilhas, complementando com mais uma corrida longa no fim de semana de quarenta a cinquenta quilômetros em velocidade moderada. Intercala dois treinos de bike, que reduzem o impacto nas articulações, funcionando como treinos regenerativos e também dois treinos de musculação. “Por muito tempo achava que meus treinos deviam ser baseados em distância, corria cada vez mais, mas em um ritmo confortável em que fazia pouco esforço, isso trazia uma evolução mais lenta. Hoje, treino um volume menor, mas em frequências bem maiores que me geram melhores resultados. Nosso relevo favorece diversos tipos de treinos. Durante as provas enfrentamos graus de exaustão que podem parecer o fim, mas você aprende a conviver com isso e entende que elas são reversíveis, é natural. O volume de provas e a qualidade dos treinos trazem um aprendizado importante para a melhora da performance.”

Vitor aconselha: “Se você me perguntar quais foram as provas mais importantes, eu vou citar pelo menos duas que foram horrorosas e delas vieram a reviravolta… As provas em que o atleta vai mal e quebra são importantíssimas; nessas provas se você adotar um olhar inteligente e crítico é daí que a semente é plantada, é daí que você evolui. Acho isso de muita valia, porque vai acontecer com qualquer um, seja na corrida, na bike e em todos os tipos de esporte, algum dia acontece e a frustração pode levar você ao fundo do poço. Em junho de 2013, experimentei o ponto mais fundo… Na volta do lago, uma prova de cem quilômetros em que tudo fugiu do controle, eu já vinha de uma sequência de azar, alimentação errada, pesado demais, resultados ruins. Minha hidratação na prova não foi correta, com quarenta quilômetros já estava péssimo, mas continuei até os oitenta e cinco, quando fui retirado da prova. Não passei no tempo de corte e não tinha mais condições de continuar. Após a prova, detectei sangue na urina e estava bastante desidratado. A frustração foi tamanha, que tomei asco de esporte, fiquei péssimo, entrei em depressão, abandonei tudo por um tempo, fiquei sem energia, meu corpo estava completamente destruído… Foi meu fundo do poço e meu recomeço. Ali começou um novo ciclo da minha vida no esporte. Minha evolução e minhas melhores performances vieram depois disso, frutos do aprendizado, não somente dessa prova, mas também de outros traumas como a Ultra dos Anjos em 2014, em que minha amiga que fazia o apoio de carro se perdeu, e com ela estavam água, comida e agasalhos.

Meus pés estavam machucados demais, eu e meu *pacer Léo Guerra congelávamos de frio, sem hidratação necessária, delirando de sono e ainda preocupados sem saber o que tinha acontecido com nossa amiga Cíntia. Meu psicológico ficou arrasado, foi o inferno na terra, mas no caso dessa prova em específico, o sofrimento durou apenas o tempo da prova, isso acontece… O máximo que já havia corrido eram cem quilômetros em uma pista; fui para fazer 130 quilômetros. Acabei correndo 235 quilômetros em cinquenta e cinco horas e fui direto para o hospital com os pés em carne viva. No meio da prova queria desistir, as outras pessoas não deixavam, me encorajavam, fui me arrastando até o final, mas ao terminar estava em êxtase, feliz por ter realizado mais um sonho… Já na prova da volta do lago não, dela saí pro fundo do poço. Mas o importante mesmo foi aprender, enxergar como isso pode ser produtivo.

Foram duas provas infernais que me ensinaram demais, e acho legal passar essa experiência, principalmente para quem está iniciando nesse esporte, de resistência, de superação e, acima de tudo, de autoconhecimento. “Sou muito grato pelas grandes amizades que fiz no meio, não daria nem para citar, são centenas de pessoas que fizeram parte, mas nesse dia em especial gostaria de agradecer a Monalisa, que é a farmacêutica proprietária da Aquabella, e ao Alexandre Gotelip (Alemão), médico do esporte e fisioterapeuta proprietário da clínica Pro Health, meus patrocinadores, e que cuidam do meu corpo. Tenho uma parceria muito legal com eles e vejo que eles vibram com meus resultados, trabalhando em paralelo para montar minha suplementação, me orientando dentro da minha musculação, sempre de olho no risco de lesões e possíveis desgastes, controlando meu peso e me direcionando. Sou realmente muito grato a eles.”

 

“Assim como o surfe me levou a lugares inesquecíveis à beira-mar, a corrida me apresenta a beleza das montanhas.”

 

Resultados

 

Entre as provas mais importantes que o atleta disputou estão:

 

  • Ultramaratona dos Anjos em julho de 2015 – 235 quilômetros em quarenta e quatro horas e trinta e cinco minutos, oitavo colocado.
  • Terceiro na categoria e nono geral na Endurance Challenge Agulhas Negras oitenta quilômetros, em maio de 2015.
  • Segundo geral na P4 ultra de sessenta quilômetros, em setembro de 2015.
  • Ultra Trail de la Serra de Montsant, na Catalunha – Espanha, quinze horas, vinte e dois minutos e catorze segundos, conseguindo a vigésima sexta colocação geral dentre os 243 atletas e segunda colocação entre os estrangeiros.
  • Ultra Trail das Aldeias de Xisto, em outubro de 2013, na Serra Lousã, em Portugal, completando o dificílimo trajeto de setenta e oito quilômetros e 4.800 metros de desnível positivo em doze horas e vinte e nove minutos.
  • Primeiro lugar na Copa Paulista de Corridas de Montanhas, cinquenta quilômetros na categoria de quarta colocaçao geral, em janeiro de 2015.
  • Primeira colocação no Indomit cinquenta quilômetros na categoria e oitava colocação geral, em agosto de 2014.
  • Terceira colocação na Day & Night Run doze horas (104 quilômetros percorridos) na categoria, e a décima colocação geral, em agosto de 2013.
  • Vice-campeão do Multisport Brasil na categoria Open e quarto geral, em março de 2012.
  • Campeão geral de uma etapa do Haka Race (corrida de aventura); conseguiu duas terceiras colocações em demais etapas.
  • Primeiro lugar na cem quilômetros Franca-Rifaina, categoria duplas em julho de 2012.
  • Primeiro colocado na categoria e quinto geral na Copa Paulista de corrida de montanha cinquenta quilômetros, em fevereiro de 2015.
  • Segundo lugar na categoria e oitavo geral na Copa Paulista cinquenta quilômetros, em março de 2015.
  • Primeiro na categoria e quarto geral na Copa Paulista cinquenta quilômetros, em abril de 2015.
  • Oitavo na Ultra dos Anjos internacional 235 quilômetros, em julho de 2015, segundo na categoria e quinto geral na KTR quarenta e três quilômetros em agosto de 2015.

 

“As piores provas, as que você erra, são as que mais ensinam, a frustração não deve fazer você desistir, mas sim torná-lo mais forte…”

 

Vitor Rage

Vitor Rage

“As piores provas, as que você erra, são as que mais ensinam, a frustração não deve fazer você desistir, mas sim torná-lo mais forte...” Vitor Rage – ultramaratonista

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